X-MEN VS STREET FIGHTER

24/01/2019

“- Para de ser mentiroso!”

Foi o que eu disse quando um amigo da escola me falou que na locadora do nosso bairro tinha um fliperama de luta que misturava os personagens X-men com os de Street Fighter. Mas era tudo verdade.

 

Desenho animado dos X-men

Naquela época, o famoso desenho de 1992 ainda passava nas manhãs da Rede Globo e os heróis mutantes estavam super em alta. Além disso, em 1994 a Capcom havia desenvolvido um jogo de luta chamado X-men: Children of the Atom, para os arcades, que contribuiu com muitas das mecânicas de jogo utilizadas em X-men Vs Street Fighter, além de ter diversos personagens e sprites reaproveitados. Este foi o primeiro alicerce para a sequência de jogos de luta que a Capcom produziu em parceria com a Marvel.

Akuma saindo no mão com Juggernaut no jogo dos X-men

No ano de 1995 houve um marco muito importante para os jogos de luta, o lançamento de Street Fighter Alpha. Este foi outro jogo que também exportou mecânicas e sprites para o X-men Vs Street Fighter, formando assim o “primeiro” crossover de jogos de luta entre Marvel e Capcom. Escrevo “primeiro” entre aspas por que existe uma pequena curiosidade: o personagem Akuma já era um personagem secreto de X-men Children of the Atom, então, tecnicamente, este seria o primeiro crossover nessa categoria.

 

Tela de seleção de personagens

Em 1996, a capcom lançou X-men Vs Street Fighter para a sua placa de arcade CPS2 com nove personagens de Street Fighter (Dhalsim, Bison, Chun-Li, Zangief, Cammy, Charlie, Ryu, Ken e Akuma) e nove dos X-men (Magneto, Fanático, Dentes-de-sabre, Tempestade, Gambit, Vampira, Wolverine, Ciclope e Apocalipse), sendo Akuma um personagem secreto e Apocalipse o chefão do jogo.

 

Vampira e Cammy Vs Zangief e Fanático

Logo de cara, já temos a primeira surpresa do game que é escolher dois personagens para serem utilizados. O sistema de lutas é em duplas, ou seja, é possível alternar entre dois personagens pressionando simultaneamente os botões de soco forte e chute forte. Isso garante que se possa deixar um personagem de fora recuperando parte da saúde perdida, trocá-los de acordo com a estratégia para derrotar um determinado personagem, realizar hyper combos em dupla e etc.

Algo muito importante colocado em prática nesse game é a simplificação da jogabilidade, tornando-o mais atrativo para jogadores iniciantes. Um exemplo disso é a forma que se utiliza os hyper combos. Diferente de Street Fighter Alpha que pedia que o jogador fizesse duas meias-luas mais um soco para disparar um Shinkuu Hadouken,  em X-men Vs Street Fighter basta apenas uma meia lua e pressionar dois socos ao mesmo tempo para realizar o mesmo movimento. Outro exemplo são alguns pequenos combos que se pode fazer seguindo a sequencia de botões de soco ou chute com fraco, médio e forte.

Apesar dessa simplicidade, o jogo não se torna ruim para os jogadores mais experientes. As possibilidades de combo não param por aí, passando pelos combos aéreos em que se atira o adversário para cima e se inicia um combo no ar sem deixá-lo cair ou as boas sequências de golpes seguidas de um hyper combo.

 

Apocalipse pagando de dentista do Wolverine

Um grande destaque precisa ser dado ao chefão final do jogo, uma versão gigante do vilão Apocalipse que só leva dano quando atingido na mão ou na cabeça, além de utilizar diversos poderes, inclusive o de transformar sua mão em maça ou em uma temível broca gigante. No estágio do vilão, podemos ver alguns personagens, como a Psylocke, aprisionados pelo vilão em cápsulas que podem ser quebradas durante a luta. Essa é, inclusive, uma justificativa para esses personagens não estarem presentes neste jogo.

Visualmente, talvez o aspecto que chame mais a atenção sejam os hyper combos. Diferente dos super combos de Street Fighter Alpha, cujo Shinkuu Hadouken é simplesmente um hadouken poderoso que da mais hits, os hyper combos são um exagero de alcance, golpes e tela piscando. O próprio Shinkuu Hadouken se parece mais com um kamehameha de Dragon Ball, pois se transforma em uma rajada de energia contínua.

 

Ryu e Ken fazendo um duplo Shinkuu Hadouken nada exagerado

 

Por ser o primeiro crossover, existem alguns problemas de personagens quebrados no jogo, principalmente de Street Fighter, e muitos desses problemas só foram resolvidos no jogo seguinte, Marvel Super Heroes Vs Street Fighter. Mesmo assim ainda considero um bom jogo, que inovou em diversos aspectos e foi importante para dar esse pontapé inicial de uma sequencia de jogos que ainda vive em Marvel Vs Capcom 3.

 

Com qual jogo foi o seu primeiro contato com os crossovers entre Marvel e Capcom? Deixe aí nos comentários e não deixe de ler esse texto sobre Pocket Fighter:

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